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Victoria Inaudi
Todos os poemas

Eu perguntei ao amor:
Quantos anos você tem?

O amor me respondeu: não sou jovem nem velho. Não me ajusto a relógios, nem expiro nas estações. Chego quando encontro espaço. Posso habitar um primeiro encontro ou uma segunda vida. Não pergunto a idade do corpo, mas observo a maturidade da alma. Porque a alma, quando ama, é sempre jovem. E assim o amor continuou dizendo: tenho a idade do primeiro pulsar, e do último suspiro. Tenho a idade do seu primeiro espanto, quando você se sentiu vista por alguém como se o universo a nomeasse. E também a idade das suas cicatrizes, de cada vez que você amou mesmo que doesse. Não tenho anos, tenho memórias que se repetem em corpos distintos, tenho encontros que atravessam séculos, tenho vozes que não morrem, olhares que ainda falam desde outros tempos. Não me encerro em calendários, me reconheço nos instantes em que uma alma toca a outra e fica. Então, se você ainda quer saber minha idade, procure-a no seu peito, nesse lugar onde você me sentiu e voltou a acreditar. Aí, onde você renasce, essa é a minha idade.

Victoria Inaudi